20.4.17

Acordar

20.4.17


De uns dias para cá tenho acordado no susto. E, quando acordo, tenho uma suspicaz sensação de estar atrasado para um compromisso que não existe. Tenho andado sempre com uma angústia desnecessária de estar devendo algo ao mundo, sei lá, uma poesia que nunca sairá da ponta do lápis, um abraço apertado, um afago enternecedor. Abro minha agenda e vejo que nada está marcado. Coloco meus óculos e vejo que estou atrasado comigo mesmo, com meu passado. Deve ser alguma saudade estacionada em qualquer esquina ou talvez seja um saudosismo daquela canção que deixa o coração suave. Talvez seja uma conclusão saudosa de um caboclo amazônida que se esqueceu de acordar, de dar-cor-a alguma coisa. Mas essa nostalgia que vem desde dentro é a minha infância procurando alguma parecença com a realidade. Um desejo doido de sair correndo por aí, feito a brisa que entra pela tua janela e tocando as flores aí estão. Acho que o primeiro prenúncio de que o tempo passou é quando a gente vê que há distinção entre descerrar os olhos, alvorecer, deixar a cama e despertar.

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Entre notas de rodapé - 2017

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