4.11.16

Vamos!

4.11.16


Ei, coloca uma música bem tranquila pra nós. Joga-te nesses caminhos tão incertos, e segura na minha mão. Tira essa sandália e fica descalço. Sinta a maciez da terra molhada. Ontem choveu e você nem viu. Estava muito ocupado com tuas exageradas cautelas. Deixa brotar no teu rosto aquele riso tímido que só você tem. Quando estou no calor do meu silêncio, aperto o play e escuto uma canção, namorando a paisagem que a janela me oferece. 
Outro dia falaram-me que preciso por freio nas coisas. Não gosto muito do freio. Muito menos de nada que trava a gente. Prefiro mesmo é ser autêntico, ousar o novo, atrever-se em ser diferente. 
Mas eu tô falando do amor. E é somente ele que imortaliza os dias de primavera, espalhando as mais prementes flores nas ruas, nas calçadas do nosso destino. Coloca uma música antiga, daquelas que falam ao coração e canta comigo como se a gente quisesse ser uma versão alternativa de Eduardo e Mônica. Como se a gente não perecesse, como se você não fosse. 
O sol vai se despedindo, beijando o rio na sua presença, transbordando amor. 
Ah, se eu não fosse terra, seria uma estrada. Mas sempre caminharia descalço para admirar a aspereza do trajeto. E amaria a calmaria nas tardes de primavera. Peregrinaria com meus pensamentos soltos, traduzindo-os em palavras, em poesia. 

João Miguel

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Entre notas de rodapé - 2017

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