17.10.16

Sobre chupar manga e andar de bicicleta

17.10.16


Quando criança adorava sentar no quintal da casa de vovó Amazonina e chupar manga. Vivia meu sonho infantil, olhando os “pés” de manga florescerem para logo, logo dar-me seus frutos. Ansioso, todos os dias ia na árvore verificar se não tinha uma manga “de vez” (é assim que falamos). Mas tinha um vício: colher a manga antes de estar totalmente madura e comê-la com sal. Quanto Prazer! Assim como costumamos fazer com todas as coisas que consideramos gostosas, eu desejava possuir, eternizar aquele momento. Bem nesse momento de êxtase de prazer em comer uma fruta verde com sal, que me aparecia alguém e repreendia: “menino, tu tá comendo manga verde com sal? Faz mal!”. E confesso que estas broncas nada resolviam. Logo estava eu ali, de novo, embaixo do pé de manga, deliciando-me com aquele sabor que se misturava à minha saliva. Aprendi com o tempo sobre a sabedoria de subir num pé de manga. Já subi em muitos. E por pouco, não caí. Certa vez escorreguei e ploft! Caí! E foi apenas mais uma das quedas de tantas que já tive. 
Quando estava aprendendo a andar de bicicleta, também caí milhares de vezes, na busca de equilibrar-me no objeto de duas rodas. Trago em meu corpo algumas cicatrizes. Umas desapareceram, outras permanecem, fazendo-me relembrar histórias de minha infância tão bem vivida. Nossa vida se oferece toda, e me sinto bem cheio dela. Por isso, quero navegar por todos os rios, mares e oceanos, descobrindo todos os atalhos. Quero andar de bicicleta e comer manga com sal e deixar o ser interiorano habitar o meu ser. Um dia, vou plantar um pé dessa fruta maravilhosa no meu quintal e eternizá-la na minha história. Um dia ela me presenteará seus frutos, eu sei que vai. Quero semear esperanças, buscar ser feliz andando de bicicleta de braços abertos. Porque sei que ela me acompanha, com todas as marcas no corpo, ao sonho que tenho desde menino: ter a graça de alcançar o horizonte com minhas próprias mãos!

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