24.10.16

Coração filtro

24.10.16

Há certos instantes na vida que exigem que a gente dê um “STOP!”. Não que seja falta de fôlego, senão pela ausência de lugar no coração. É que durante toda a nossa vida, vamos amontoando inquietudes, aflições, ansiedades, e nossa resiliência tem lá suas limitações. Concordam? Pois é. Surpreendente como a alegria é tênue, é suave, é rio que corre - podemos remar sempre em frente na nossa canoa de alegrias sem cicatrizes que adquirimos ao longo do caminho. Não é que ignoramos as dádivas dessa nossa vida. Só que eles não pesam, e sim nos transformam em seres mais graciosos. Oposto às alegrias, as nossas mágoas são como icebergs – grandes e gelados, e preenchem um espaço que, nos enfastiam e machucam, aflorando dentro da gente reminiscências sofridas, provocando certos tropeços nos resquícios do passado. O mais sensato, então, é que desçamos à jazida dos nossos ressentimentos e filtrar àquilo que já não nos pertence. Aquilo que já não me serve, que vá embora! O que importa agora é desocupar lugares. Até porque, ficamos tão presos a essas dores passadas, que acabamos nos definindo por elas. E olha que há pessoas que vivem infelizes, trancafiadas nas suas mágoas. É por isso que dessa vida, eu apenas quero carregar comigo as felicidades de minha jovem existência. As pedras da minha senda, essas eu vou procurar banir do meu coração meio fatigado. Umas são mais teimosas que outras. Mas cada uma que vou removendo permite passar um raio de luz, deixando que só permaneça o necessário: um coração aberto, verdadeiro, que filtre os amargores da vida.

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Entre notas de rodapé - 2017

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