23.9.16

Quando você voltar

23.9.16

Nunca sei como rascunhar palavras numa carta. Especialmente quando o destinatário é você. Eu gostaria de ter construído algo bonito contigo, sabe? Gostaria de ser discreto, assim como você. Mas a minha explosão de espontaneidade não me deixa. (risos)

Outro dia comprei um livro de poesias para ter alguma inspiração, sei lá. Desde que você se foi, parece que as palavras não permanecem comigo. São fugazes. Escorrem pelos meus dedos feito água. Eu vou sentir a ausência de cada pedaço teu por aqui. E quando me refiro “aqui”, falo daquelas nossas conversas jogadas fora, daquelas poesias que compartilhávamos pelo whatsapp. De verdade eu queria que tu ficasses mais um pouco. Quando te ouço parece que chove, sabe. É como lavar a alma através daquele sotaque tão singular. É muito bom te ouvir! Quase sempre, ao te escrever, fico todo bobo, procurando exaustivamente que as palavras cheguem até você. Nunca fui um exímio escritor, amante das palavras ou algo do tipo. Meu forte sempre foram as emoções. Inclusive, meus amigos me falam que sou um tanto teimoso e bobo. Não sei se eles me criticam ou admiram. Deixemos isso pra lá. Espero que tu escrevas sobre isso algum dia. Sabe, não adianta você me dizer que cheguei atrasado na sua vida duas vezes - realmente cheguei. Que pena! Mas não me recordo de ter feito apostas furadas sobre nada. Você me escreve e vive também. Vai ver por isso que eu me acho tão parecido contigo. É disso que sentirei falta. De você me desvelando aos montes e me dizendo quem sou de verdade. 
Acredito que um dia tu voltarás, vai abrir a página do seu livro e ler tudo o que tu escreveste enquanto esteve ausente. Vai me encantar com os versos e reversos que tu descobriste nesse mundão afora. Vai, mas retorna, por favor. E quando voltar, me dá um beijo de boa noite pra eu saber que tu estás aqui. 

Vou descansar no calor do teu abraço,
Com esperança.

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Entre notas de rodapé - 2017

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