20.9.16

Partidas inteiras

20.9.16
É, minha gente. Nossa vida se faz toda poesia diariamente. E não tem jeito: nela há encontros e despedidas. Nossa vida é cheia de partidas. Sinceramente, eu tenho pensado muito a respeito da minha própria história. Não estou falando de mortes físicas, mas da metáfora da morte sempre presente no meu quotidiano.

Recordo - não com pesar, mas com alegria- de alguns momentos da minha vida: os amores platônicos da adolescência, brincar com o barro nas mãos, correr lá na rua de minha casa. Sabe, é coisa bonita a gente se revisitar. É atitude de querer encontrar a nossa essência, que no decorrer dos dias, não prestamos atenção. Recordo de pequenos detalhes, risos, lágrimas, ternura nos olhares. Confesso que algumas dessas memórias me deixam bem feliz. Feliz por tudo o que me permiti viver, experimentar. Outras lembranças não são tão boas assim, sabe. Elas machucam, porque nem todas vieram até mim como imaginava.

Hoje, fitando os olhos para o vivido, acredito que não há um fim realmente bom, a não ser um recomeço. Recomeçar é atitude sábia e ousada de quem não quer ficar à margem da vida, viver por viver. Lembro-me de quando saí da casa de mãe. Nessa partida, residiu uma dor, uma despedida. E vamos combinar: quem aprendeu a se despedir, levante o braço. Partir dói e nós nunca aprendemos a lidar com a tal despedida. Mas nisto também mora uma alegria, até porque a partida é um desdobramento, uma conquista. É a vida seguindo seu curso. A morte está por dentro de todas as coisas e faz parte das veredas da vida, já que tudo que começa tem um fim. É a lei da existência. Eu escrevo isso, mas nem eu mesmo acredito que essas palavras saíram de mim. (risos). Até porque, é custoso despedir-se daquilo que bem-queremos: um amor, projetos de vida, pais, família. Quando nos deparamos ao instante derradeiro, padecemos tanto! E a cada partida, seguimos no compasso da canção que nos afaga. Seguimos com mais uma dor. Existem certas coisas que se dissolvem por si mesmas, concedendo espaço para que outras coisas possam nascer. Amores e fatos corriqueiros queridos apenas se desenrolam, modificam-se em outros, como tudo se transfaz na sua itinerância para sempre inacabável. Se for para partir, que seja por inteiro e não pela metade.

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Entre notas de rodapé - 2017

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