13.5.16

[Vale a pena publicar de novo]: Deserto de Palavras

13.5.16
Acordei num deserto de palavras. Olho para os corredores vazios que atroam o nada. O vento gelado bate na minha janela, insistente. Às vezes é necessário ter um pouco de paciência e esperar. Sei também, que cada coisa tem o seu tempo. Creio que as palavras que foram, voltarão trazendo-me novidades. Nessa atitude constante de espera, recordo-me de um fato da minha infância. Em Carauari, volta e meia tinha uma tempestade. Ventava, venta muito! E depois, o céu desabava em água. Enquanto se armava o temporal, mamãe corria para fechar portas e janelas lá de casa, e eu no quarto, quieto no escuro, ouvindo o reboar dos trovões. Sempre que acontecia algum temporal, faltava energia. Era de praxe! Ficava ali, quietinho, com medo dos trovões, dos raios, dos ventos. Esperando... Parecia que não acabava mais tanto trovão e tanta água. Mestre Veríssimo já dizia: “Como o tempo custa a passar quando a gente espera! Principalmente quando venta. Parece que o vento maneia o tempo”. E a chuva perdurava até a madrugada. A tempestade partira. No outro dia, o sol brilhava mais do que todos os dias. No quintal, havia muitas folhas espalhadas e galhos, como se tivesse acontecido uma grande festa na noite anterior e os restos não tinham sido apanhados. O céu mostrava-se limpidamente azul. Assim como tive que esperar o temporal para contemplar a translucidez do dia seguinte, as palavras decerto reaparecerão amanhã no meu jardim, com todos os odores, cores e saltos de alegrias.

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Entre notas de rodapé - 2017

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