11.4.16

Destinos e carambolas

11.4.16
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Outro dia estava num calor danado aqui em Belo Horizonte, e resolvi sentar embaixo do pé de carambola que temos em casa. Sentei e fiquei observando seus galhos, suas folhas secas, sua coloração – tons verdes e amarelados - com poucas flores, brotos e frutos. Enraizado feito menino do interior, comecei a imaginar histórias. E se essa árvore fosse uma pessoa, será que em cada galho, que em cada caminho haveria veredas de amores e suplícios? Imaginem se esses galhos fossem como um tipo de metáfora para desnudar nossas teias afetivas? É como se esses galhos que se conectam uns aos outros fossem o cume dos nossos paradeiros. O dorso da vida. Uma alegoria da existência humana. A natureza com suas formas, traços, minuciosamente carregada de detalhes. Cada ramificação, um caminho, uma vicissitude distinta. Fiquei imaginando que Deus está lá no pico, rindo dos nossos devaneios tão audazes. No alcantil está a esperança que, de vez em quando, sacode com a brisa, correndo o risco de soltar a qualquer instante. Uma dor antiga vai para a direita. O cheiro, as boas sensações, a saudade se põem à esquerda. Existir é atrever-se e levar-se adiante na caminhada. Não é arrastar-se, mas ousar. 
No caule há o amor que faz com que tudo atue da melhor forma possível. Ele sustenta e suporta as possíveis intempéries. Quando arrebenta, percebe-se que o amor não era tão teso. Era algo ínfimo: quem sabe, apenas um xodó. Ou até mesmo uma afeição, empatia por alguém. Acredito até que nós descomedimos na dor que sentimentos. É verdade! Na época em que éramos crianças, um trambolhão que levávamos era motivo para chorar horrores. E chorávamos não pela dor da queda, mas pela vergonha de ser visto cair. 
Eu acho que os amantes sofrem e lamentam por não ter transparecido amor. Os fidedignos amores não lamentam por ter sofrido arranhões. Desde menino, ouço falar que quando se é traído, brotam “galhos” na cabeça. Tolice! No âmago daquele que trai, é que eclodem espinhos – os mais severos. Nossos caminhos sempre serão ínvios trilhos. No momento em que chegarmos – e se chegarmos – perceberemos que já é momento de partir. O primordial é que saibamos degustar cada opção forjada com as próprias mãos, como quem saboreia com prazer sua fruta predileta. Até porque não é sempre que uma carambola cai na nossa cabeça.

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Entre notas de rodapé - 2017

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