4.4.16

Amar é arriscar

4.4.16
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Definitivamente, o mundo – aliás, a gente – anda com uma fixação de perfeição, que ultimamente acho um tanto superficial. Não falo de política, mas trato de relacionamentos: namorados, mães e filhos, maridos e esposas, amigos e outras teias afetivas que estabelecemos ao longo da nossa existência. Hoje em dia, parece que tudo necessita ser perfeito. Da mesma forma que a tristeza tornou-se um tipo de doença, falhar tornou-se um presságio de desamor. Acertar todos nós queremos: queremos ser os melhores amigos, amantes, irmãos, namorados, esposos/as. Queremos ser os mais extrovertidos, autênticos, íntegros, aprazíveis – tudo isso alicerçado no amor e na amizade – que está exposta a resvalos e lapsos. Até porque a perenidade, a participação efetiva no cotidiano, os anos, as inúmeras transformações pelas quais cada um de nós passa ao decorrer da nossa vida, tudo isso nos obriga a uma sucessão ininterrupta de pequenos consertos. E, por vezes, consertar pressiona, dói. Todos os dias, casais são injustos, as mães, mesmo carregadas de amor, falham a todo o momento. Saudáveis são os que conseguem, mesmo depois de um baita problemão qualquer, inspirar e expirar calmamente e recomeçar, retirando as mágoas e as pequenas recorrentes injustiças. É impressionante como as contas se ajuntam nos relacionamentos, e aí no momento que a fatura está no vermelho, é tempo de seguir em frente. Os pares mudam, as contam zeram e tudo começa novamente. Talvez, as relações familiares resistam às adversidades e erros que se apresentam, até porque não dá pra ficar trocando de irmão, pai e mãe a cada instante. Quantas vezes colocamos o peso de nossa cabeça no travesseiro, nos sentindo extremamente mau, porque erramos com alguém? Por isso que só quem erra, arrisca. E arriscar é amar. Atualmente, todo erro é considerado como algo abominável. Oponho-me redondamente. Porque, à medida que arriscamos, estamos presentes. À medida que estamos presentes, é prenúncio de que ali se encontra o amor.

No final de tudo isso, amar não é atino. Amar é arriscar.

E se errar, arrisca-se de novo. Quantas vezes for necessário!

Um comentário:

  1. Wesley Araujo dos Santos4 de abril de 2016 16:48

    Ótima perspectiva ótica. Esse é um dos textos que merecem destaque no livro.

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Entre notas de rodapé - 2017

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