31.7.15

Sem destino

31.7.15

De vez em quando saio sem destino. Não é “deixar a vida me levar”, mas prestar atenção àquilo que está ao meu redor. Eu saio para prestar atenção no mundo e não no destino. Outro dia saí aqui em Santiago e pude experimentar algo incrível. Na rua por onde caminhava, tive a impressão de estar andando no meio de livros. Era como se eu fosse um personagem tentando fugir dessas histórias tão nossas e que se escondem sem rumo no meio do caos, das redes sociais, de tantas vidas que cruzam a nossa vida. Todos esses livros estão sendo moldados, construídos. Tinha uma leve impressão de que os personagens caminhavam pra lá e pra cá, tentando encontrar a melhor história para adentrar. Nesses livros aí estavam os dramas, as tramas, as dores e os amores, as tantas idas e vindas e reviravoltas. Essas coisas que costumam virar histórias e ficam guardadas e eternizadas em nós como se guardam vozes após pedir silêncio. Meus braços foram pequenos que não conseguiram abraçar esses livros gigantes. Minhas mãos tão pequenas, frente àquela selva de pedra, foram incapazes de virar uma página sequer. Parei em frente ao edifício Poesia. “Bom dia, Cora Coralina! Tudo bem?” As margaridas do jardim da Adélia estavam ali, vivas. Achei raro, porque ainda era inverno. Olhei para o outro lado e você estava ali. Sei lá… Nossa história bem que poderia estar sendo construída na próxima esquina, junto com as tantas histórias consagradas pelo tempo. Seus olhos, de leitor curioso, saberiam como ninguém conduzir as histórias que rumam a vida. Essas histórias que nos “gentificam”, que fazem o coração saltar pela boca.

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Entre notas de rodapé - 2017

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