22.6.15

A vida como ela é (ou não!)

22.6.15
A pessoa acorda, sabendo que é segunda-feira. Pleno início de semana. Já reclamando de Deus e dos seus 12 apóstolos, levanta-se, toma um banho, se veste e vai para o seu trabalho. Enquanto isso, lastima por não ser rico e acha mil e um defeito na manhã que logo começara. Na rua, avança o sinal, xinga os pedestres e outros motoristas e amaldiçoa aqueles que resolveram cruzar o seu caminho, justamente naquela segunda. Quando chega ao trabalho, passa direto, esbarra num colega e não pede desculpas e muitos menos pede licença ou sequer dá um “bom dia”. Senta-se na sua mesa, liga o computador e começa a falar mal do colega ao lado. Abre a página do facebook e escreve: “Bom dia, amigos! Que tenhamos uma semana de paz e amor ao próximo. Deus os abençoe!”. Fecha seu perfil e continua o seu trabalho. Ao longo do dia passa a perna nos companheiro de trabalho, é grosseiro com a senhora da faxina. Finalmente chega a hora mais feliz do dia: a hora do almoço. Serve-se, inclina a cabeça e come apressadamente. O colega ao lado, tira uma foto da comida e posta no instagram aquele prato de comida de todos os dias: “Huum...hora do rango! Servidos?”. Enquanto come, está de olho nas notificações que chegam e nas mensagens do whatsapp, afinal de contas a internet do restaurante é ótima e tem que desfrutar. A refeição acaba e tem que fazer a digestão. “Caminhar um pouco? Pra que?”. Vai passando os olhos no seu perfil. “Mais amor, por amor!”, diz um. “Gentiliza gera gentileza”, proclama outro. E assim vai: frases de impacto de Fernando Pessoa, John Green, Dom Helder Câmara, postagens sobre gente perdida, indiretas, “Todos contra o racismo”, profere ciclano, fotos no instagram em frente ao espelho. E o camarada curte, compartilha, mostrando para o mundo o quanto ele é do bem, culto, perspicaz e cheio de amor pelos seus. Levanta-se da mesa, e lamenta por ter que retornar ao trabalho. Faz um selfie e se dedica às próximas quatro horas de jornada. Ao final do expediente, no trânsito, vê um casal homoafetivo passeando de mãos dadas e grita: “Vão virar macho, bando de veados!”. Chega em casa, não cumprimenta a esposa, reclama da comida, fala mal de Deus e do mundo e escreve na sua linha do tempo: “É preciso amar as pessoas, como se não houvesse o amanhã. Abençoada noite, amigos!”.

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Entre notas de rodapé - 2017

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