2.5.15

Rubem de cada dia

2.5.15
rubem-alves

Há pessoas que adoram compartilhar aquelas frases de impacto. Outras, adoram ler versículos da Bíblia, na busca de [re] animar a sua espiritualidade. Há pessoas que abrem o jornal apenas para ler o horóscopo. Outras, preferem ler a seção dos famosos. Há aqueles que gostam de tirar as cartas, consultar os búzios. Outras ainda adoram ler as palavras do “Osho” (tipo palavras de sabedoria). Não deprecio o alcance da fé e das enigmáticas energias que transcendem o mundo da descrença. Creio naquelas boas energias, no amor pleno e autêntico, no pensamento positivo e nos ipês: amarelos, roxos, rosas e brancos. Às vezes, quando estou perdido, com tédio, estressado ou mesmo desanimado, procuro minha inspiração primeira. Um volume de capa azul-petróleo com rosa, escrito em letras garrafais: Ostra feliz não faz pérola do Rubem Alves [presente de um grande irmão da caminhada]. Como estou em Santiago-Chile, pedi que um amigo meu o mandasse pra mim. Quando chegou, a alegria foi estonteante. Podem estar pensado: “ah, isso é exagero né Igor?! Não é pra tanto!”. Não, não é exagero! Explico-vos o motivo: Rubem Alves é o meu gênio, meu orixá, o poeta dos ipês. Já tive oportunidade de ler várias obras dele, e cada vez que leio seus livros, enamoro-me mais e mais. Todas as vezes que estou procurando alguma palavra, um estímulo, uma inspiração; todas as vezes que me falta criatividade, trilhar pelas sendas poéticas do Rubem é um bom remédio para revivificar, guiar e provocar. E é citando-o que me justifico: “Quer ficar tranquilo? Contemple calmamente os ipês que fazem o seu trabalho de cores! [...] Suas cores não tem uso algum que lhes possamos dar. Mas elas, sem linguagem e sem fala, nos falam. Falam da simplicidade da vida. Falam da nossa tolice. Não sabemos florir: 'Ah, como os mais simples dos homens são doentes e confusos e estúpidos ao pé da clara simplicidade e saúde em existir das árvores e das plantas. Sejamos simples e calmos, como os regatos e as árvores, e Deus amar-nos-á fazendo de nós belos como as árvores e os regatos, e dar-nos-á verdor na sua primavera e um rio aonde ir ter quando acabemos’ (Alberto Caeiro)'".

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Entre notas de rodapé - 2017

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