22.5.15

Carta ao Papa Francisco

22.5.15
papa-francisco

Para que não aconteça prováveis interpretações equivocadas, deixo declarado que o texto foi escrito de forma literariamente sarcástica.
Santiago, 22 de maio de 2015.

Caríssimo Papa Francisco,

Inicialmente peço-lhe desculpas por dirigir minhas sinceras palavras para uma pessoa que ocupa um posto de poder tão importante. Como católico, vejo que alguns de seus pronunciamentos e comportamentos são esquisitos e desconcertantes, e não zelam pela doutrina da nossa Santa Madre Igreja. Com isso, tomei a liberdade de fazer alguns apontamentos sobre seu comportamento e aconselhar-te a fazer algumas mudanças. A começar que o senhor tem uma proximidade demasiada com o povo e usa um vocabulário rústico para comunicar-se com as pessoas. Afaste-se mais das pessoas, porque isso o ajudará a impor certo respeito, sobretudo, quando as pessoas que não fazem parte da hierarquia católica se acercarem do senhor. Nos seus discursos, não fale tanto nos pobres e deixe de lado essa fala para sairmos em direção às periferias, para os sacerdotes terem “cheiro de ovelha”. As pessoas podem pensar que o senhor é comunista. Seja mais espiritual. O senhor visita lugares remotos, de extrema pobreza. Como que o representante de Cristo pode se rebaixar e caminhar por estes caminhos profanos, cheios de heresia? Outra coisa que acho estranha: o senhor fala que temos que resguardar a família, mas se apresenta acolhedor com homoafetivos e desquitados em outras uniões. Explique-me: onde queres chegar com todas essas barbáries? Papa Francisco, por favor, não seja tão carinhoso, terno e humano. Não deixe que as pessoas te chamem de “Chico”, “Chiquinho”. Imponha respeito! Queremos um Papa que tenha voz magnificente, e faça sua homilia em latim, adorne-se com paramentos pomposos, finos e nobres, como prescreve os dogmas da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana.

Por fim, Papa Francisco, peço-lhe desculpas mais uma vez por minhas sinceras palavras. Elas são fruto do inesgotável descontentamento que, muitos católicos e eu, sofremos com essa sua postura tão humana de ser Papa.

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