9.3.15

Clima e palavra

9.3.15
Com o clima um tanto instável aqui em Santiago, pude perceber que nem todas as palavras saem como e quando deveriam. Recordo-me ter indagado se seria possível escrever no apogeu do verão. Quer dizer: parece que nosso organismo tem um sistema de medir nossa temperatura interna que aciona as palavras em função do clima externo. Um exemplo disso, saudade, não combina com temperaturas acima de quinze graus. Caso contrário, ela derreteria como um sorvete de chocolate. Mas cá entre nós, quem sentirá saudades num lindo dia de sol, de céu azul, com a temperatura de 35 graus? Deixe pra sentir saudade quando o inverno chegar. Ainda fico a pensar em quantas poesias, frases e versos não foram escritos, porque a palavra ao sentir a pele do poeta, retornou ao congelador do seu peito. É ótimo saber que algumas palavras se perdem no caminho entre o coração e traqueia e ficam para todo o sempre no nosso íntimo. Ficam ali esperando uma oportunidade de desabrochar na estação que as mereça. É por isso que quando escrevemos, a temperatura fica nas frases, no corpo das letras. Por vezes, esquenta. Por vezes, congela. E assim, no coração de quem escreve, é sempre inverno. O lado exterior é uma bela paisagem para a existência do escritor, que espera incessantemente para dialogar com o mundo, através de suas palavras. Desse movimento é que nascem as poesias, as canções, os belos escritos de grandes clássicos da nossa literatura.

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Entre notas de rodapé - 2017

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