23.9.14

A chegada...

23.9.14
Passados dez meses em Goiânia-GO, na etapa do propedêutico, vim residir na cidade de Passo Fundo, que fica ao norte do estado do Rio Grande do Sul. Depois de encarar 25 horas de viagem, cheguei a “capital da literatura” no dia 09 de dezembro de 2010. Como diz Ana Carolina: “vim parar nessa cidade por força da circunstância”. Parei aqui em decorrência do processo formativo dos Missionários da Sagrada Família que tem a filosofia na etapa do aspirantado e postulantado.
 Ao pisar nessas terras gaúchas logo senti: povo novo, cultura nova e totalmente oposta a minha. Não demorou muito para me perguntarem: “você é nordestino?” logo retruquei: “não! Sou amazonense!”. E isso se repetiu por algumas (milhares) vezes. Em 14 de dezembro daquele ano fiz o vestibular para o curso de Filosofia no IFIBE. Passei em segundo lugar, dentre os quase 50 que estavam na lista. Fui de férias para o Amazonas e em 2011 (31 de janeiro) retornei para Passo Fundo. Ao chegar em casa, me debulhei em lágrimas chorando, com saudades da terra, do aconchego do lar. A saudade amenizou e logo no dia 1º de fevereiro começaram as aulas. Ali iniciava um novo caminho. Ali iniciava o cultivo de boas amizades.

Recordo do momento de abertura do ano letivo todos se apresentaram (nome, de onde veio e Congregação/Diocese...etc). “Igor, Carauari/AM, Missionários da Sagrada Família.” Olhava para cada um que estavam presentes e pensava: “Deus, o que eu tô fazendo aqui?” Mas aos poucos fomos nos conhecendo, tecendo amizade. O primeiro semestre assustava! Pelos trabalhos acadêmicos, correria, uma infinidade de coisas que eram novidades até então. Na primeira semana de fevereiro fui ao Centro de Pastoral da (Arqui)Diocese de Passo Fundo conhecer meu ambiente de trabalho, e que mais tarde se tornaria meu amor pastoral: Pastoral da Criança. Chegando ao local encontrei Iracema, Cris e Regina, todas reunidas em volta da mesa na sala da Pastoral. Cumprimentei e o antigo secretário me apresentou como o novo assistente da mais nova coordenadora diocesana da Pastoral da Criança. Caí de paraquedas na Pastoral da Criança. Mal sabia que a fundadora era Zilda Arns e só! Mas aos poucos fui conhecendo o terreno e compreendendo a beleza que há na pastoral e em todo serviço missionário.
Pois bem. O ano foi passando e muita coisa foi acontecendo também. Dentre coisas boas que me ocorreram foi poder ter a graça de conhecer um amigo na faculdade. De amigos para irmãos. E a amizade foi sendo construída. As aulas eram uma comédia (só que não)!  Os bilhetinhos passavam pra lá e pra cá, e as “interações sociais” aconteciam. Quanta coisa absurda rascunhada naqueles bilhetes. Ao lembrar me debulho em gargalhadas! (saudade de tudo isso).

Em maio, comemorei o aniversário de 19 anos com os colegas da faculdade. Levei um bolo e compartilhei aquele momento significativo que até hoje recordo do glacê que me jogaram na cara.
No segundo semestre tínhamos como disciplina na faculdade a Historia da Filosofia, que perpassava todos os períodos, desde a antiga até a contemporânea. Noite em claro tentando entender Espinosa, Parmênides, Levinas, Schopenhauer. Quanto mais eu lia, mais escrevia. Um dos fichamentos de resumo foi finalizado em nove páginas. Pra acabar com esse aí, tive que ficar até as quatro da matina. E assim tínhamos artigos e fichamentos até o término do ano letivo.
Durante esse ano estive com muitas dúvidas, com saudades de coisas que não vivi. Dessas dúvidas, silenciei e escutei as tantas “certezas” que me empurravam a favor da maré. Não foi fácil. Chorei. Briguei comigo mesmo. Arrisquei. Recompus-me. E sobrevivi.

Cheguei. Assustei. Conheci. Experimentei. Amei.

Aqui não estão todas as memórias, claro. Tem algumas reticências...

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