12.7.14

Relicário . . .

12.7.14
Era junho. Encontrava-me perdido, como quem se perde numa grande cidade. Estava perdido num desejo intenso, intrépido. Estava perdido sem nada no meu bolso, nem no meu coração. Foi então que, por uma simples ‘brincadeira’ numa tal rede social, eu me apaixonei.
Sim! Me apaixonei por aqueles lindos olhos verdes que pareciam devorar-me a cada vez que eu os olhava. Me apaixonei por aquele sotaque que se sobressaía toda as vezes que me chamava de “meu lindo”. Me apaixonei pelas tantas partilhas, das nossas alegrias, das nossas dores, medos e sonhos. Me apaixonei pela maneira de como tudo foi construído.
Todos os dias pensando, desde o acordar até o anoitecer…
Não, não e não! Eu não poderia ser o que eu era. Nunca poderia voltar para mim, depois de contemplar os lindos olhos verdes e ver aquela boca dizendo coisas que eu não posso revelar aqui nesse espaço. Era lindo todo o silêncio que tanto dizia. Era lindo o roçar do nariz que dispensava quaisquer palavras.
Muitas vezes tive vontade de dizer: fica aqui, não vai pra casa! Não me deixe estar sem você. Não me deixe ficar sem olhar para esse par de olhos verdes que são faróis!
Durante muito tempo ficamos surpresos. Viramos frases, palavras de um futuro bom.
Falamos sem vírgula, sem censura, sem vergonha do tamanho do nosso desejo de fazer, de tecer a nossa história. 
E hoje, o que somos?
Ah! Somos apenas uma boa lembrança . . .

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Entre notas de rodapé - 2017

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