19.6.14

Ah, Adélia!

19.6.14


Há algum tempo atrás li um pensamento da Adélia Prado: “o que a memória amou fica eterno”. Na ocasião que conheci tal citação, eu vivia um sentimento muito puro e avassalador, diga-se de passagem. Desde aí, suas poesias tem me acompanhado, me encantado como a noite, como as estrelas, como a vida. É magnífico! Adélia tem uma qualidade que a faz ser eterna: a simplicidade. Ah, boa Adélia! Que se parece com tantos e tantas por aí, que escreve aquilo que mais de cotidiano tem na nossa vida, que se parece até mesmo com você que se encontra do outro lado dessa tela. Dia desses, vi outro fragmento, que dizia o seguinte: “É preciso viver a tristeza, ela faz parte da vida, assim como a alegria”. Ela falava lindamente da tristeza como algo sagrado, que também faz parte de nossa vida. Hoje, todos nós temos medo da tristeza. E quando ela se intensifica, é medicada. Mas porque que temos que calar a tristeza? Porque temos que barrar essa visita teimosa, antes que ela nos diga o que veio fazer? Por vezes, ter uma boa prosa com a tristeza pode nos levar adiante. E o que é a nossa vida senão uma eterna reticência, uma caminhada surpreendente, onde as paisagens, sonhos e companhias sempre mudam? Tá, eu sei. Dar um passeio com essa tristeza até a esquina pode ser bem difícil, mas também pode ser renovador. Adélia Prado falou a frase acima, quando sofria de uma depressão que durou dois anos. Depois desse período que “Deus lhe tirou a poesia”, ela voltou a escrever ternamente os poemas que, de certa forma, falam de mim, de você, da gente...tudo na maior simplicidade, sem muitos rodeios, mas com uma ternura descomunal. Ah, Adélia! Que faz poesia até quando silencia, até quando usa as palavras mais duras.

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Entre notas de rodapé - 2017

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