9.10.10

Figura Típica Amazonense

9.10.10
"Na terra molhada, uma casa de palha uma doce cabocla na beira do rio: Cabocla amazônica, mulher que não verga aos desafios; Artesã de paneiro, cúias , cestas e tipitís,Faz vinho de taperebá, bacaba, cupú e açaí; Na ponte lava a roupa de olho nos curumins; Paneiro nas costas no rumo da roça, é preciso cultivar a terra molhada; pra fazer farinha, caribé, tapioca; o sol e o vento afagam sua face suada; quando estende a malva no varal e cuida do peixe no giral; ainda há tempo pra sonhar e ao lado do amado remar, remar, remar; vestir a camisa encarnada e brincar de boi bumbá; depois louvar a Padroeira e voltar a remar, remar..." (Caprichoso 2005)
             A letra da toada retrata a vida de uma cabocla ribeirinha, que vive nas margens dos rios do Amazonas, que tem sua arte, que tira seu sustento da floresta e dos rios, que enfrenta os desafios, trabalha e luta pela sobrevivência, cuida da família, mas que tem tempo para se divertir e nunca deixar de cumprir os ritos de sua fé.
             Trazendo essa letra para a cidade grande, podemos dizer que ela retrata a mulher forte, batalhadora, que constrói seu futuro como a cabocla ribeirinha tece uma cesta ou um paneiro, cuidando do futuro da família, sem jamais descuidar da sua aparência, encontrando momentos de lazer e de Fé, que rema ao lado do amado para construir um futuro de conquistas e que jamais verga a qualquer desafio.
            Uma artesã da própria vida, alguém que foi a luta, conquistou uma profissão, respeito, reconhecimento e admiração, que cultivou seu espaço na sociedade, como se cultiva a terra molhada para extrair o sustento, nunca tirando os olhos dos que ama.
           Mas em todos esses momentos ela jamais esquece de professar a sua fé, seu amor e respeito, dando testemunho das maravilhas que Deus realiza em sua vida.
           E por fim, sabemos que essa figura típica é uma cabocla amazônica, porque jamais verga a um desafio, pode sofrer, pode temer, mas enfrenta e vai à luta, e o melhor supera, ultrapassa e vence, porque tem fibra, porque tem a força dos rios e a energia das matas.

Igor Pereira

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