20.9.17

Coração Filtro

20.9.17

Há certos instantes na vida que exigem que a gente dê um “STOP!”. Não que seja falta de fôlego, senão pela ausência de lugar no coração. É que durante toda a nossa vida, vamos amontoando inquietudes, aflições, ansiedades, e nossa resiliência tem lá suas limitações. Concordam? Pois é. Surpreendente como a alegria é tênue, é suave, é rio que corre - podemos remar sempre em frente na nossa canoa de alegrias sem cicatrizes que adquirimos ao longo do caminho. Não é que ignoramos as dádivas dessa nossa vida. Só que eles não pesam, e sim nos transformam em seres mais graciosos. Oposto às alegrias, as nossas mágoas são como icebergs – grandes e gelados, e preenchem um espaço que, nos enfastiam e machucam, aflorando dentro da gente reminiscências sofridas, provocando certos tropeços nos resquícios do passado. O mais sensato, então, é que desçamos à jazida dos nossos ressentimentos e filtrar àquilo que já não nos pertence. Aquilo que já não me serve, que vá embora! O que importa agora é desocupar lugares. Até porque, ficamos tão presos a essas dores passadas, que acabamos nos definindo por elas. E olha que há pessoas que vivem infelizes, trancafiadas nas suas mágoas. É por isso que dessa vida, eu apenas quero carregar comigo as felicidades de minha jovem existência. As pedras da minha senda, essas eu vou procurar banir do meu coração meio fatigado. Umas são mais teimosas que outras. Mas cada uma que vou removendo permite passar um raio de luz, deixando que só permaneça o necessário: um coração aberto, verdadeiro, que filtre os amargores da vida.

8.9.17

Disperso

8.9.17


Cá estou eu
De volta às folhas alvas
Que desejam dizer-me algo
Ou esperam que eu diga
Qualquer coisa.
A noite anda fria
E teus passos...
Onde eles estão?
Onde me levarão?
Lá fora, sinto a brisa no meu rosto
E teu perfume invade minha existência
Levando meus devaneios mais audazes
Aos lugares ternos.
Não me nega teus risos
Aqueles tão tímidos
Que surgem
Quando teus olhos
Encontram com os meus.
12.7.17

Condição

12.7.17

Se sou rio, deixa-me ser sereno

Se sou céu, deixa-me azulescer os dias
Se sou calmaria, deixa que o silêncio se torne poesia
Se sou sol, deixa-me iluminar as veredas das trevas
Se sou flor, deixa-me espalhar as cores e os perfumes graciosos
Se sou pássaro, deixa-me voar nas asas da minha liberdade.
23.6.17

Benditas as incertezas

23.6.17

E eu que caminhava 
Tão cheio de certezas,
Hoje vejo-me cercado de incertezas
Que bom!
Benditas sejam minhas incertezas!
Que não me deixam acomodar
E aportar meu barco
No cais da indiferença,
Da inércia e do conforto,
Lugares que deixam nós
Amarrando-nos na mesquinhez
Emergindo a aridez
Na nossa existência.
20.6.17

Talvez

20.6.17

Caminhar é preciso
E a coisa não é tão simples assim.
Primeiro a curva,
Depois o morro,
Esquerda, direita, 
Pra cá, pra lá
Decidir entre o ir e o ficar.
Escolher entre a trilha das pedras,
Tortuosas e perigosas,
Ou aquela plana e reta,
Mas cheia de placas,
De atenção, não sei
Assim sigo 
Com apenas um talvez.
Entre notas de rodapé - 2017

Design e Desenvolvimento por Moonly Design / ©