1.12.17

Tu

1.12.17

Tu és tímido sorriso
De olhar inquietante
Aqui dentro brota uma saudade 
De tudo que me lembra você 
Ah, como eu queria ser poeta! 
Tu serias minha melhor companhia 
E eu te amaria nos versos e reversos 
Dos poemas rascunhados. 
Cá estou eu 
Desejando ser poeta 
Mas nem sei escrever.
E aqui, 
Ao som da fina chuva que cai 
Vou sonhando 
Amando tua timidez 
Teus risos tão ternos,
Teu sotaque tão singular.
Ah, floresce tua presença 
No jardim da minha existência.

João Miguel
25.11.17

Jardins e jardineiros

25.11.17

Na nossa casa, sempre que podemos, cultivamos um jardinzinho. Não é “grandes coisas”, nem é parecido com aqueles jardins belíssimos de Amsterdã, mas sua dimensão é suficiente para que as rosas, os jasmins, pingos-de-ouro, hortênsias, flores das mais variadas cores cresçam e enfeitem com sua gama de tonalidades. Enfim, nada que afugente os olhos, mas o suficiente para amansar o coração. Ocorre que, por vezes, o jardineiro que cuida do horto, precisar aplicar remédios nas flores para espantar as pragas. Ele, o jardineiro, é um médico das flores, porque zela com todo esmero, dos brotos que ali desabrocham. Fiquei aqui matutando. Hoje em dia, estamos aflitos, angustiados, tensos com o trânsito caótico, delações, horários e dissabores repentinos. O jardineiro, também com seus problemas, aflige-se com a coloração e saúde das rosas, com as lagartas que invadem o jardim e o destroem. A vida tem dessas coisas, não é mesmo?! Vez ou outra somos essas flores que necessitam de ternos cuidados, mão leve, água para prosperar; em outras, somos esse jardineiro que guarda a beleza desse pequeno lugar recheado de cores e odores, como um pai ou uma mãe que quer poupar os filhos e filhas das inevitáveis asperezas desta vida.
24.11.17

l.u.g.a.r

24.11.17

Ali, onde a brisa sopra levemente
Minha voz reverbera sem medo
E a tua preenche minh’alma de intrepidez
E os banzeiros do rio são brandos e as águas plácidas.
Ali é o lugar que procuro, é o sorriso que anseio
Mãos que se enlaçam e se sustentam umas nas outras
O perfume do aljofre e das flores quaresmeiras
Trazem-me uma singela e despojada alegria
Uma paz sem igual.
Meus olhos persistem em beber o horizonte,
Porfiam em ser teus,
Como o vívido e eloquente amarelo dos ipês
A beleza tem nome e voz
O semblante que, ora admiro, ora me inquieta
Já sonhei com ele certos instantes
Despeitei com o sol que brilhava dentro de mim
Mas nalgum momento comecei a fazer morada nessa luz
Esperança que não engana
Presença que permanece e edifica
E a completude da beleza abraça
Os meus átimos de perenidade.
22.11.17

O amor bateu na porta

22.11.17

Estava eu silencioso
Como um errante peregrino
Nestas penosas sendas
Que persistiam em dizer-me:
“Não podemos dar conta de tudo na vida!”
As palavras buriladas
No âmago da minha existência
Reverberaram nos remansos
Do sangue nas minhas artérias
Ah, chegou devagarzinho
Como um tímido passarinho
De riso terno e fala mansa
Veio todo faceiro
Com ardente desejo de ser eterno
Tomei um susto
Ah, sim, ele chegou!
O amor bateu na porta
Olhou pra mim e disse:
Vem comigo!


João Miguel
21.11.17

Olhar

21.11.17

Quero sustentar o meu olhar para além das conjecturas, sonhar e acreditar naquilo que desejo, sem jamais deixar desvanecer em mim a ESPERANÇA, responsável por essa minha tão simples, mas profunda e apaixonada existência.
Entre notas de rodapé - 2017

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